quinta-feira, novembro 24, 2011

Alarme

.
Simon Casson


Quem foi que anoiteceu a tarde em água e vento
e encheu de Inverno o Outono em que me escondo?
Quem foi que amarfanhou o meu sorriso antigo
e encheu de lama estrelas que sonhava?

Vontade de escarrar,
vontade louca
de dizer palavrões
a toda a gente!...
E tudo fica igual,
como se nada
tivesse acontecido
em qualquer parte;
e tudo fica mudo,
a mastigar
pra dentro
os palavrões
que era
preciso
dizer,
para que a tarde
fosse tarde
e o Outono
Outono
e o riso fosse riso
- um bimbalhar de sinos -
e as estrelas
brilhassem como sóis...

É preciso
acordar
a madrugada
- antes que a matem,
inda mal desperta!...


Alfredo Reguengo

4 comentários:

Miguel Pinto disse...

Vou apropriar-me, E. :)

Maria Lisboa disse...

Oi, Miguel,

apropria-te à vontade. Também o roubei por aí.

Bj

:)

IC disse...

Oi, Maria! E eu que julgava que tinhas o teu blogue abandonado! Ainda bem que o Miguel se apropriou do poema para eu lhe seguir o rasto :))
Bjinhos

Maria Lisboa disse...

Oi, Isabel! Estou a tentar recomeçar...
Vou pondo umas coisitas de vez em quando, aqui e no(s) outro(s)
Bjinhos