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domingo, outubro 09, 2011

Por vezes fêmea. Por vezes monja.




 Israel Zzepda


Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.


Natália Correia

terça-feira, novembro 18, 2008

partir...

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Israel Zzepda
.
.
a loucura de partir correndo,
pelo sonho dentro...
.
.Teolinda Gersão

sábado, abril 14, 2007

Cresce o mal cos anos

...

Israel Zzepda


Vai o bem fugindo
Cresce o mal cos anos
Vão-se descobrindo
Co tempo os enganos
Amor e alegria
Menos tempo dura
Triste de quem fia
Nos bens da ventura

Ai ventura minha
Como me negaste
Um só bem que tinha
Porque mo roubaste
Alegre vivia
Triste vivo agora
Canta a alma de dia
E de noite chora

O campo floresça
Murmurem as águas
Tudo me entristeça
Cresçam minhas máguas
Confesso os enganos
Do meu pensamento
Bem de tantos anos
Foi-se num momento


Luís de Camões

quinta-feira, março 29, 2007

entre o que fui e o que sou...

...

Israel Zzepda


Num espaço falso entre o que fui e o que sou
perduram as frases que eu não disse
aqueles gestos que eu não quis fazer
e toda a história da minha vida
que o destino não pôde escrever.


Olavo Rubens

quarta-feira, março 21, 2007

Esse lado de mim...

...

Israel Zzpeda


Esse lado de mim que vive
Desejando partir
É minha metade forasteira,
Selvagem e traiçoeira...

Chega ansiando ir embora,
Parte pensando em voltar,
E amarga uma impaciência que não controla...

Esse lado de mim que passeia pela vida
Sorrindo diante do intocável,
Brilhando olhos de lobo,

Voz mansa quebrando o silêncio,
É a parte de mim que não sabe o que quer,
Minha metade cansada,
Frágil e sensível...

Deseja ser guiada por um sonho,
Brincar na memória de alguém,
Ser parte eterna de uma alma
Que já aprendeu a amar...


Débora Böttcher

terça-feira, março 13, 2007

é assim, a música...

..

Israel Zzepda


A música é assim: pergunta,
insiste na demorada interrogação
– sobre o amor?, o mundo?, a vida?
Não sabemos, e nunca
nunca o saberemos.
Como se nada dissesse vai
afinal dizendo tudo.
Assim: fluindo, ardendo até ser
fulguração – por fim
o branco silêncio do deserto.
Antes porém, como sílaba trémula,
volta a romper, ferir,
acariciar a mais longínqua das estrelas.


Eugénio de Andrade

segunda-feira, março 05, 2007

domingo, janeiro 28, 2007

Depois, tudo estará perfeito

...

Israel Zzepda

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

Cecília Meireles