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quarta-feira, abril 25, 2012

Abril

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Vladimir Kush


que já foste...
que já não és...
que urge voltares a ser...


Maria Ema

sábado, março 05, 2011

As aves levantam contra o vento




“Que farás quando vieres a descobrir que a febre que te moveu, e tomaste por verdade indiscutível, nunca passou a fronteira do sonho? Que vais tu fazer ao dar-te conta de que o teu país voltou à embriaguez antiga, dos milagres trazidos pelo vento que há-de chegar da Europa? À mesma corrompida cupidez, à rudíssima e torpe ignorância, à mesma fidalguia de fachada, à fatal temeridade? Que farás ao observar, após tanto sobressalto, que Portugal adormeceu de novo, num sono ainda mais profundo?”

Jorge Carvalheira


Entrou voando pelo sonho adentro.
Voava tão alto que não se apercebeu que muito poucos tinham descolado e que, mesmo desses, a maioria, não tinha largado as amarras.
Não se apercebeu de que apesar de Abril ter sido sonho de muitos, foi conquista de poucos e interiorização de muitos menos.
Não se apercebeu de que a liberdade é um sentimento que tem que vir de dentro. De que o que estava em causa era uma liberdade dada, emprestada, não adquirida, não assumida, não nascida em cada um. Não soube que, perante uma liberdade assim, a maioria não a saberia viver, não a saberia defender. Por isso não soube que os velhos medos ainda gritavam mais alto e que o peso do poder, do dinheiro e de interesses antigos continuariam a ser os mandantes.
Também não percebeu que o sonho se tinha começado a desfazer no preciso momento em que estava a nascer: - “um capitão?! não posso deixar cair o poder no chão” - “vão lá buscar o general do olho de vidro”.  E foram!...
Voava mais alto do que tudo isto e só via a beleza do que havia sido conquistado naquela madrugada e que, mais do que tudo, queria preservar; tão alto que o sonho se desmanchou e “entrou a voar pelo chão dentro” como já lhe acontecera de outra vez. Só que desta vez não “partiu a cara”, partiu a alma.

E, ao remendá-la, soube tudo isto, e, percebeu, também, este Portugal que nunca soube, não sabe e, dificilmente, virá a saber ser um país.

E, de todo este saber, narrando-se,  fez, numa soberba obra de literatura (ah! como eu gostava de saber escrever assim), o mais cáustico e mais belo relato, que me foi dado ler, sobre a incongruência deste país que vagueia, eternamente, entre uma meninice birrenta e uma adolescência imatura, sem nunca se tornar adulto; deste país que, bastas vezes, teve ventos a favor para levantar voo, mas teima em ficar, orgulhosa e teimosamente do lado contrário da pista, levantando e “borregando”, levantando e “borregando”, ad nauseam; deste país que sobrevive na arrogância despótica de uns e na subserviência de outros; deste país incapaz de se bastar a si próprio, vítima de uma autofagia insana.


Maria Ema

sábado, junho 30, 2007

7 maravilhas... e outras tantas...

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Este blog foi nomeado, pelo Raposa Velha, como uma das 7 maravilhas.
Agradeço ao Fliscorno a sua distinção, embora não me sinta merecedora. Pouco dou de meu … apenas escolho cores que gosto e palavras que gosto e junto-as tentando formar um todo que constitua um oásis num fim de dia ou um grito de revolta quando tudo é demais, ou um alerta quando o “céu ameaça cair-nos sobre a cabeça”.
.Desta nomeação emerge a necessidade de fazer, eu própria, novas nomeações. Tarefa difícil já que existem, por esta blogosfera fora, inúmeros cantinhos que são verdadeiras maravilhas. Muitos desses cantinhos já foram nomeados e embora me pareça que a intenção deste movimento seja a da nomeação das 7 maravilhas, escalonadas pelo número de nomeações, e que esse facto nos dá a hipótese de renomearmos cantinhos já nomeados, alguns dos quais eu também nomearia, vou tentar dar a conhecer alguns, fora dos percursos normais da maioria de muitos de nós e que, para mim, são pequenas grandes maravilhas.
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Estão neste caso:
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http://educarparasaude.blogspot.com – do Miguel de Sousa, um grito constante no combate pelo direito à saúde.

http://edutica.blogspot.com - do Henrique, um alerta diário a uma postura crítica e actuante face ao desprezo e desrespeito com que somos tratados diariamente.

http://msprof.blogspot.com - da Isabel que tão bem tem sabido falar das suas memórias, que tão bem sabe intervir no contexto em que vivemos, colocando dúvidas, alertando erros, equacionando caminhos; da Isabel que se sentiu obrigada por esta gente, que nos desgoverna, a abdicar do que gostava de fazer (embora ainda o pudesse fazer por alguns anos, porque força e amor para dar à escola e aos alunos não lhe faltavam) para não compactuar com as iniquidades a que nos obrigam para sobrevivermos; de uma Isabel que neste momento se sente muito triste pelo afastamento dos seus alunos….

http://oficiodiario.blogspot.com - de Torquato da Luz poemas, quadros e fotografias do autor … um oásis de bem estar no meio de toda a inquietação em que vivemos, um poeta que nos diz: “Sou de um país de sal e solidão, onde importa voltar a dizer não”.

http://outroarcanjo.blogspot.com - de vários colegas que encontraram neste espaço o campo para nos trazer aqueles “pequenos nadas” que sendo uns “pequenos tudos” constituem a brisa que no fim do dia nos põe um sorriso nos lábios.

http://passadocurioso.blogspot.com - de professores e alunos de uma das nossas escolas.. daquelas escolas em que segundo o nosso ME os professores não trabalham, não incentivam os alunos, não produzem. Um exemplo de como isso não é verdade.

http://tempodeteia.blogspot.com - de uma Teresa para quem os alunos são as flores do seu jardim, uma Teresa que os “cultiva e rega”, um a um, com todo o amor e carinho… de uma aranha que construiu inúmeras teias para apoio de colegas e alunos… de uma Teresa que teve a coragem, de em nome do seu amor pelos alunos, recusar um concurso a titular que a iria sobrecarregar com coisas que não lhe interessam na perspectiva da sua função enquanto professora.


Das minhas maravilhas de todos os dias, constam: aquelas em que sou cooperante, e outras que foram suspensas sine die e por isso não refiro, embora passe por lá constantemente na esperança de…; as que comento com assiduidade, e que fazem parte do percurso diário de muitos de nós, onde são debatidos os problemas diários de muitas das iniquidades a que estamos sujeitos e que por já terem sido nomeadas não nomeei:

http://antero.wordpress.com - do Antero
http://detritustoxicus.wordpress.com - do SL
http://educar.wordpress.com - do Paulo
http://fliscorno.blogspot.com - do Raposa Velha
http://olhardomiguel.blogspot.com - do Miguel
http://paideia-idalinajorge.blogspot.com - da Idalina
http://wehavekaosinthegarden.blogspot.com - do Kaos.
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Adenda: acrescento este que também é merecedor de atenção, pelas inúmeras possibilidades que contém:


Maria Ema

sábado, maio 26, 2007

congelados...

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Maria Martinez Contreras


Em blocos de gelo transformados,
refrescamos-lhes as bebidas
com que se deliciam enquanto nos lixam


Maria Ema

segunda-feira, março 12, 2007

tudo arrumado...

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René Magritte
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Corpo arrumado
pendurado na cruzeta
Descansam os pés sobre a mesa

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.Maria Ema

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Prometo ser eu!

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Maria Ema
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Prometo ser desobediente
E contestar todas as regras
Que não entenda, que não apreenda
Que não me expliquem
E que interfiram com a minha liberdade.
Prometo ser inconformada
Se ser conforme for assumir formas
Que não a minha
E conformada for aceitar
A imposição e aborrecimento duma rotina.
Prometo ser mal-educada
E mandar à merda quem me disser:
Sê conformada, tem paciência
A vida é isto, a vida é assim.
Prometo ser inconveniente
Se a conveniência não me servir
E conveniência for conivência
Aceitação, anulação e conformismo.
Ninguem nasce de trela e mordaça
Portanto, eu
Prometo ser eu!
Desobediente, inconveniente
Inconformada, mal-educada
E mandar à merda vida e regras
Quando e se me apetecer.

Encandescente, no livro Encandescente

terça-feira, agosto 22, 2006

Parabéns!


Marc Chagall


BODAS DE OURO (para os meus Pais no dia das suas Bodas de Ouro)
Fazem hoje 57 anos de casados
... mas o sentimento continua o mesmo.

Olhando para trás, recordamos
o dia em que nos conhecemos,
o começo do nosso namoro,
o início da nossa vida em comum,
o nascimento de cada um dos nossos filhos.

Olhando para trás, recordamos
os problemas que resolvemos juntos,
as alegrias que partilhámos,
os “pequenos” e “grandes” momentos
que foram o nosso dia a dia.

Olhando para trás, recordamos
como, pouco a pouco,
fomos concretizando os nossos sonhos.

E, ao recordarmos, apercebemo-nos
que, para nós, cada dia,
é sempre aniversário de qualquer coisa;
de qualquer coisa que partilhámos os dois,
que sentimos os dois, que construímos os dois.

Mas hoje!
Oh, que dia tão especial o de hoje!

Faz 50 anos!
Faz 50 anos que nos unimos pelo casamento,
que prometemos, um ao outro, perante o mundo,
que nos amaríamos e respeitaríamos
para o resto das nossas vidas.

Faz 50 anos!
Faz 50 anos que o casamento
nos juntou na espiral do amor.
Amando-nos e respeitando-nos
crescemos juntos.
De mãos dadas, fomos e somos,
amigos, amantes, companheiros.

Por isso, especialmente hoje,
perante todos vós,
que fazem parte da nossa vida
e nos ajudaram a ser o que somos,
renovamos os votos de amor e respeito,
feitos há 50 anos, ... feitos todos os dias.




Queremos que saibam
que nos amamos e respeitamos muito;
que prometemos amarmo-nos sempre,
cada vez mais (se é que isso ainda é possível!);
que continuamos a gostar
de estar casados um com o outro.

Ontem... Hoje... Amanhã...
juntos seremos sempre
a melodia de um Hino de Amor.

................................... Agosto de1999

...
Obrigada.
Um grande beijo para os dois.

Maria Ema