... Maria Amaral O meu amor Tem um jeito manso que é só seu E que me deixa louca Quando me beija a boca A minha pele inteira fica arrepiada E me beija com calma e fundo Até minh'alma se sentir beijada, ai O meu amor Tem um jeito manso que é só seu Que rouba os meus sentidos Viola os meus ouvidos Com tantos segredos lindos e indecentes Depois brinca comigo Ri do meu umbigo E me crava os dentes, ai Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz Meu corpo é testemunha Do bem que ele me faz O meu amor Tem um jeito manso que é só seu De me deixar maluca Quando me roça a nuca E quase me machuca com a barba malfeita E de pousar as coxas entre as minhas coxas Quando ele se deita, ai O meu amor Tem um jeito manso que é só seu De me fazer rodeios De me beijar os seios Me beijar o ventre E me deixar em brasa Desfruta do meu corpo Como se o meu corpo fosse a sua casa, ai Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz Meu corpo é testemunha Do bem que ele me faz Chico Buarque/1977-1978 Para a peça Ópera do Malandro
Eu vi quando você me viu Seus olhos pousaram nos meus Num arrepio sutil Eu vi... pois é, eu reparei Você me tirou pra dançar Sem nunca sair do lugar Sem botar os pés no chão Sem música pra acompanhar Foi só por um segundo Todo o tempo do mundo E o mundo todo se perdeu Eu vi quando você me viu Seus olhos buscaram nos meus O mesmo pecado febril Eu vi... pois é, eu reparei Você me tirou todo o ar Pra que eu pudesse respirar Eu sei que ninguém percebeu Foi só você e eu Foi só por um segundo Todo o tempo do mundo E o mundo todo se perdeu Ficou só você eu eu Quando você me viu... Letra: Cláudio Lins Interpretação: Maria Rita
Maria Amaral - rêve dùne caresse Danças... teus gestos são carícias mansas, a tua dança é um tateio vago, é o próprio tato dedilhando as melodias do afago... Danças, e fico, a quando e quando, presa de gozo singular, e sonho que me estás acariciando, e sinto em todo o corpo o teu gesto passar.
Maria Amaral - la vague Ignoro o que seja a flor da água mas conheço o seu aroma: depois das primeiras chuvas sobe ao terraço, entra nu pela varanda, o corpo inda molhado procura o nosso corpo e começa a tremer: então é como se na sua boca um resto de imortalidade nos fosse dado a beber, e toda a música da terra, toda a música do céu fosse nossa, até ao fim do mundo, até amanhecer. Eugénio de Andrade
Desvio dos teus ombros o lençol, que é feito de ternura amarrotada, da frescura que vem depois do sol, quando depois do sol não vem mais nada... Olho a roupa no chão: que tempestade! Há restos de ternura pelo meio, como vultos perdidos na cidade onde uma tempestade sobreveio... Começas a vestir-te, lentamente, e é ternura também que vou vestindo, para enfrentar lá fora aquela gente que da nossa ternura anda sorrindo... Mas ninguém sonha a pressa com que nós a despimos assim que estamos sós!