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quarta-feira, junho 20, 2012

A morte não é um bem

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Sir James Thornhill


A morte não é um bem,
Os próprios deuses o sabem.

Eles preferiram viver…


Safo (séc. VI a. C.)
trad. de David Mourão-Ferreira

sexta-feira, maio 25, 2012

entre o mar, a areia e o sol

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Podemos chorar porque te foste,                                      
ou sorrir porque viveste.

Podemos fechar os olhos e rezar para que voltes,
ou abrir os olhos e ver tudo o que nos deixaste                  

O nosso coração pode estar vazio porque não te pode ver,
ou estar cheio do amor que compartilhámos.

Podemos virar costas ao amanhã e viver no ontem,
ou sermos felizes para o amanhã por causa do ontem.

Podemos lembrarmo-nos de ti só porque te foste,
ou engrandecermos a tua memória e viver com ela.

Podemos chorar e fechar a nossa mente,
ficar vazios e virar costas à vida,
ou podemos fazer o que tu querias:
sorrir, abrir os olhos, amar e seguir em frente

sempre com o que partilhámos no nosso coração.


Libertamos-te
entre o mar, a areia e o sol
Libertamos-te
para a dança dos astros e dos planetas
Libertamos-te
nas mãos do fazedor de estrelas e no sopro do vento.

Amamos-te e sentimos muito a tua falta mas queremos-te feliz.
Vai em segurança, vai dançando no vento, vai para casa.

Vai, vai com todo o nosso amor.



tradução/adaptação livre dos poemas:

"You can shed tears that she is gone" by David Harkins
and
"Responses for a Cremation" by Ruth Burgess

Fotografias pessoais

Quando eu morrer...

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De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Esta praia extasiada e nua,
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.



                                                            
 
 






Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim                                               
A tua beleza aumenta quando estamos sós.        
E tão fundo, intimamente, a tua voz                        
Segue o mais secreto bailar do meu sonho.
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.
 

 
                                   
Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.


 
 
 
 
 
 
 




Sou eu, ainda, quem na brisa respira
E é por mim que espera cintilando a maré vasa







              



                               Quando eu morrer voltarei para buscar
                               Os instantes que não vivi junto do mar


          


Versos de Sophia Mello Breyner
Fotografias pessoais

sábado, março 31, 2012

sou apenas...

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                                                     (fotografia pessoal)


eu sou
apenas o lugar
aonde nasce o vento
e o sol se faz ao mar

eu sou
apenas a mensagem
que flutua no rio
e não alcança a margem

eu sou
apenas um nome
gravado na pedra
entre duas datas


J. M. Restivo Braz

sábado, dezembro 24, 2011

Natal

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Hoje foi o teu primeiro, Nicinha...
.........................................           e a saudade já é imensa...
.
.
                                        postal antigo encontrado na net



Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio


David Mourão-Ferreira

terça-feira, dezembro 20, 2011

Aos que amo e aos que me amam... não vão chorar sobre a minha campa

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René Magritte


Quando eu já não estiver aqui, deixem-me partir,
tenho tantas coisas a fazer e a ver…
Não chorem muito quando pensarem em mim,
agradeçam, sim, pelos belos e bons anos que passámos juntos.


Dei-vos o meu amor e vocês poderão adivinhar
a felicidade que me deram.
Agradeço o amor que cada um me demonstrou
mas agora é tempo de viajar sozinha.


Sofram por mim um pouco, se tiverem que o fazer;
depois, deixem que a fé vos dê força e conforto.
Estaremos separados apenas por algum tempo, por isso,
guardem e acarinhem as recordações no vosso coração.


Não estarei longe e a vida continua…
Se precisarem de mim, chamem, e eu virei.


Apesar de não me poderem ver ou tocar, eu estarei por perto,
e se escutarem com o vosso coração, perceberão claramente,
como o meu amor vos envolve com ternura.


E quando for altura de também partirem, estarei lá
para vos acolher com um sorriso e um bem vindos a casa.




Não vão chorar sobre a minha campa,
não estou lá, não, não estou lá.
Sou os mil ventos que sopram.
Sou o cintilar dos cristais de neve.
Sou a luz que atravessa os campos de trigo.
Sou a doce chuva do outono.


Sou o revoltear das aves
na calma do amanhecer.
Sou as estrelas que brilham na noite.
Não vão chorar sobre a minha campa,
não estou lá, não morri.


tradução livre dos poemas:

"To Those Whom I Love And Those Who Love Me" by Mary Alice Ramish
and
"A Hopi Prayer" by Mary E. Frye