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terça-feira, dezembro 23, 2008

Bom Natal para todos


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(?)
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As crianças viravam as folhas
dos dias enevoados
e da página do Natal
nasciam momentos prateados
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da infância. Intérmina, a mãe
fazia o bolo unido e quente
da noite na boca das crianças
acordadas de repente.
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Torres e ovelhas de barro
que do armário saíam
para formar a cidade
onde o menino nascia.
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Menino pronunciado
como uma palavra vagarosa
que terminava numa cruz
e começava numa rosa.
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Natal bordado por tias
que teciam com seus dedos
estradas que então havia
para a capital dos brinquedos.
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E as crianças com tinta invisível
do medo de serem futuro
escreviam seus pedidos
no muro que dava para o impossível,
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chão de estrelas onde dançavam
a sua louca identidade
de serem no dicionário
da dor futura: saudade.
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Natália Correia

domingo, dezembro 16, 2007

Carta para o Pai Natal


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Talvez aches os pedidos meio extravagantes
Queria que pusesses juízo na cabeça destes governantes
Tira-lhes as armas e a vontade da Guerra
É que senão acabamos a pedir-te uma nova terra
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Ao sem-abrigo indigente, dá-lhe uma vida decente
E arranja-lhe trabalho em vez de mais uma sopa quente
E ao pobre coitado e ao desempregado
Arranja-lhe um emprego em que ele nao se sinta explorado
E ao soldado, manda-o de volta pa junto da mulher
Acredita que é isso que ele quer
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Vai ver África de perto, não vejas pelos jornais
Dá de comer às crianças, ergue escolas e hospitais
Cura as doenças e distribui vacinas
Dá carrinhos aos meninos e bonecas às meninas
E dá-lhes paz e alegria
Ao idoso sozinho em casa, arranja-lhe boa companhia
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Já sei que só ofereçes aos meninos bem comportados
Mas alguns portam-se mal e dás condomínios fechados
Jatos privados, carros topo de gama importados
Grandes ordenados, apagas pecados a culpados

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E já agora para acabar, sem querer abusar
Dá-nos paz e amor e nem é preciso embrulhar
Muita felicidade, saúde acima de tudo
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Boss AC

segunda-feira, dezembro 25, 2006

quisera...

tempo de adulto, tempo de criança

...

...
...
espero que me calhe a fava
que é costume meter no bolo-rei;
quer dizer que o comi, que o partilhei
no natal com quem mais partilhava

numa ordem das coisas cuja lei
dos afectos e memória em nós grava
nalgum lugar da alma e que destrava
tanta coisa sumida que, bem sei,

pela sua presença cristaliza
saudade e alegria em sons e brilhos,
sabores, cores, luzes, estribilhos…
e até por quem nos falta então se irisa

na mais pobre semente a intensa dança
do tempo de adulto e tempo de criança.

Vasco Graça Moura