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terça-feira, maio 22, 2012

Labirinto

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Mauritus Cornelis Escher


Portas que desaguam em novas portas
Corredores, corredores, sem fim, sem fim.
Forças tento encontrar em mim
Para renovar as esperanças mortas.
Toda vida não é assim sem saída?
Sem respostas finjo-me de forte
Porque há esperança tendo vida
E sigo, abrindo portas e fechando,
Lutando, tentando, errando
Por lugares que são sempre iguais.
Só meus próprios passos são audíveis
Em meio ao silêncio e à solidão terríveis
À procura da luz que não verei jamais!


Sílvio Persivo

quinta-feira, abril 12, 2007

Se tudo o que há é mentira...

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Mauritus Cornelis Escher


Se tudo o que há é mentira
É mentira tudo o que há.
De nada nada se tira,
A nada nada se dá.
Se tanto faz que eu suponha
Uma coisa ou não com fé,
Suponho-a se ela é risonha,
Se não é, suponho que é.
Que o grande jeito da vida
É pôr a vida com jeito.
Fana a rosa não colhida
Como a rosa posta ao peito.
Mais vale é o mais valer,
Que o resto ortigas o cobrem
E só se cumpra o dever
Para que as palavras sobrem.


Fernando Pessoa