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terça-feira, novembro 22, 2011

Cantiga do fogo e da guerra ou de como os "senhores" nos sugam até ao tutano

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Pieter Bruegel


Há um fogo enorme no jardim da guerra
E os homens semeiam fagulhas na terra
Os homens passeiam co´os pés no carvão
que os Deuses acendem luzindo um tição
Pra apagar o fogo vêm embaixadores
trazendo no peito água e extintores
Extinguem as vidas dos que caiem na rede
e dão água aos mortos que já não têm sede
Ao circo da guerra chegam piromagos
abrem grande a boca quando são bem pagos
soltam labaredas pela boca cariada
fogo que não arde nem queima nem nada
Senhores importantes fazem piqueniques
churrascam o frango no ardor dos despiques
Engolem sangria dos sangues fanados
E enxugam os beiços na pele dos queimados
É guerra de trapos no pulmão que cessa
do óleo cansado que arde depressa
Os homens maciços cavam-se por dentro
e o fogo penetra, vai directo ao centro


Letra: Sérgio Godinho
Música: José Mário Branco
Álbum: Mudam-se os tempos mudam-se as vontades

quarta-feira, maio 30, 2007

Que força é essa que te põe de bem com outros e de mal contigo???

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Moshe Rynecki
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"A Sócrates e aos seus ministros interessa a propagação da resignação e da desistência da luta. A Sócrates e aos colaboradores interessa que arrependidos manifestemos todos publicamente a nossa contrição e fidelizemos a nossa submissão. Afinal, que força é essa, que força é essa amigo? – pergunta o inteligente. Que força é essa que não só resiste, como abre o contra-ataque e retoma a ofensiva? Que força é essa que não desiste, mas assume a dianteira?"
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Francisco Queirós
in: http://www.asbeiras.pt/?area=opiniao&numero=42024&ed=26042007
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Mas como ainda existe quem só mostre esta força, pergunto:
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Vi-te a trabalhar o dia inteiro
construir as cidades pr'ós outros
carregar pedras, desperdiçar
muita força pra pouco dinheiro
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Muita força pra pouco dinheiro
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Que força é essa [bis]
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo [bis]
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo [bis]
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Não me digas que não me compr'endes
quando os dias se tornam azedos
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
e uma raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compr'endes
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Letra e música: Sérgio Godinho
In: "Sobreviventes"; 1971