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sábado, janeiro 20, 2007

Tomada de posse - governar é difícil...

... é um sacríficio feito em nome do povo

...

(roubado aqui: http://macroscopio.blogspot.com/2005_02_01_macroscopio_archive.html)

TOMADA DE POSSE

Eu, abaixo assinado, declaro solenemente, por minha honra
Que auferirei e desfrutarei
De todos os privilégios a que tenho direito
E de todas as mordomias que me serão concedidas
Como servidor e representante da Nação.
Prometo não esquecer que há crise… Para os outros
Prometo não dar mais regalias… Aos outros
Prometo cortar privilégios…. Aos outros
E com unhas e dentes defender os meus.
É uma honra servir este País
E depois de terminado o mandato
Irei como os meus antecessores
Para institutos ou empresas do Estado
Ou para a Caixa Geral de Depósitos
Fiel depositária de todos, os que como eu,
Não se distinguiram na governação
E que também assinaram este documento
Prometendo nele desfrutar ad eternum
Dos privilégios que me são concedidos
Por ter, mesmo que por pouco tempo,
Sentado o cu na cadeira do poder.

Encandescente



Antes e depois da tomada de posse
(Roubada no mesmo sítio do que a outra)

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Prometo ser eu!

...

Maria Ema
...
...
Prometo ser desobediente
E contestar todas as regras
Que não entenda, que não apreenda
Que não me expliquem
E que interfiram com a minha liberdade.
Prometo ser inconformada
Se ser conforme for assumir formas
Que não a minha
E conformada for aceitar
A imposição e aborrecimento duma rotina.
Prometo ser mal-educada
E mandar à merda quem me disser:
Sê conformada, tem paciência
A vida é isto, a vida é assim.
Prometo ser inconveniente
Se a conveniência não me servir
E conveniência for conivência
Aceitação, anulação e conformismo.
Ninguem nasce de trela e mordaça
Portanto, eu
Prometo ser eu!
Desobediente, inconveniente
Inconformada, mal-educada
E mandar à merda vida e regras
Quando e se me apetecer.

Encandescente, no livro Encandescente

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Como escrever paixão sem ser assim...

...

Imagem "roubada" aqui:
http://instantesperdidos.blogspot.com


Como escrever paixão sem ser assim
Com o corpo nas palavras
Com os sentidos nos dedos
E os dedos sentindo
A paixão que fervilha dentro?
Como fazer amor sem ser assim
Como se cada vez fosse a última
E a última fosse a primeira
E o fogo ardesse dentro
Assim como arde na pele?
Como escrever amar sem ser assim?
Como escrever sem fazer amor?
Sem me entregar em cada poema
E dar-tos como me entrego
Incendiar as palavras
Como me incendeias o corpo
E arder no poema
Como ardo nos teus braços.
Como se cada poema fosse o último
E cada vez a primeira.


Encandescente

sábado, dezembro 09, 2006

Sentes a poesia como eu?

....
Lin Eliz Schulz
...
...
Sentes
Como te percorro num poema?
Como sílaba a sílaba
Te toco e te quero
Te mordo e te desejo
E amando o poema
Te amo e me prendo a ti?
Sentes
Como as palavras se tornam dedos
Mãos, pernas?
E são como carícias que crescem
E tocam a pele
E a preenchem, a enchem
E sobem no corpo, são corpo
Carne e desejo que pulsa em mim?
Sentes
Como os versos se enrolam e se tocam?
Sentes como se entrelaçam e se enroscam
E te envolvem e te tocam
E se amam e te amam
E têm cheiros, e são sons
E ganham vida e se soltam
E na boca sabem a mim e a ti?
Sentes
Como é escrever as palavras?
Como é senti-las no corpo
Arrancá-las do corpo
Para tas entregar, para que as sintas
Para que o poema seja teu
E sejamos o poema
E eu seja a palavra
E tu sejas a poesia…
Sentes
Como te percorro num poema?...
...Encandescente

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Poemas mãos

...
Antoine de Villiers


Não escrevo poemas rectos
Escrevo poemas sinuosos,
Como o teu corpo.
Não escrevo poemas inodoros
Escrevo poemas que têm cheiro,
Como o teu corpo.
Não escrevo poemas inocentes
Escrevo poemas indecentes
Como o que quero fazer,
Ao teu corpo.
Não escrevo poemas inconsequentes
Escrevo poemas sequelas
Marcas que quero deixar,
No teu corpo.
Não escrevo poemas silenciosos
Escrevo poemas que são gritos
Que quero arrancar,
Ao teu corpo.
Não escrevo poemas etéreos, intangíveis
Escrevo poemas mãos
Que querem tocar,
No teu corpo.




encandescentehttp://eroticidades.blogspot.com/2004/12/poema-sinuoso.html
Nota: a página já não funciona, mas foi daqui que, em tempos, tirei o poema

quinta-feira, novembro 30, 2006

No país dos sacaninhas

...

? - influence of satan

Dêem-me um sacana à moda antiga
Como nos filmes de outras eras
Quando a sacanice se vestia e assumia
E olhando-os se reconhecia e temia fato e sacana.
Hoje só existem sacaninhas
Betinhos com caras de sonsos
Vozes delicadas
Boas maneiras
Aprumados
Bem-educados
Bem vestidos
E bem comportados
Frágeis como donzelas
Usam tretas freudianas à lapela
Não são filhos da puta
São filhinhos da mamã.
Até na sacanice este país se tornou pequeno
Apoucado
Mesquinho
Medíocre
Desgraçado
Temos os sacanas que merecemos.
Ah ...
Quem dera um sacana à moda antiga
E não estes piolhos que por aí pululam
Com sacanices iguais
Normalizadas
Que só fazem comichão não dão tesão
Tão frágeis
Tão indefesos
Tão pequeninos
Que se teme que se quebrem e se partam
Se levarem uma sacudidela
Ou uma simples lambada.


Encandescente - Palavras Mutantes

Imagem in:
http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=23755810

terça-feira, agosto 01, 2006

Desencontro...

...

John Singer Sargent

Não sei em que esquina da vida me perdi
Em que rua devia ter virado
Que caminho devia ter continuado
E não continuei.
Nem sei sequer
Se fui eu que perdi a vida
Ou ela que se perdeu de mim.
E fiquei assim sem norte
Vagueando, errante
Entregue à minha sorte
Sem rumo ou rota traçada.

Hoje
Caminho atenta a todos os becos
Todas as ruas e recantos
Tentando encontrar a esquina da vida
Onde me perdi
Ou onde a vida perdendo-me
Se esqueceu de mim.


(encandescente - blog eroticidades)