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terça-feira, dezembro 20, 2011

Aos que amo e aos que me amam... não vão chorar sobre a minha campa

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René Magritte


Quando eu já não estiver aqui, deixem-me partir,
tenho tantas coisas a fazer e a ver…
Não chorem muito quando pensarem em mim,
agradeçam, sim, pelos belos e bons anos que passámos juntos.


Dei-vos o meu amor e vocês poderão adivinhar
a felicidade que me deram.
Agradeço o amor que cada um me demonstrou
mas agora é tempo de viajar sozinha.


Sofram por mim um pouco, se tiverem que o fazer;
depois, deixem que a fé vos dê força e conforto.
Estaremos separados apenas por algum tempo, por isso,
guardem e acarinhem as recordações no vosso coração.


Não estarei longe e a vida continua…
Se precisarem de mim, chamem, e eu virei.


Apesar de não me poderem ver ou tocar, eu estarei por perto,
e se escutarem com o vosso coração, perceberão claramente,
como o meu amor vos envolve com ternura.


E quando for altura de também partirem, estarei lá
para vos acolher com um sorriso e um bem vindos a casa.




Não vão chorar sobre a minha campa,
não estou lá, não, não estou lá.
Sou os mil ventos que sopram.
Sou o cintilar dos cristais de neve.
Sou a luz que atravessa os campos de trigo.
Sou a doce chuva do outono.


Sou o revoltear das aves
na calma do amanhecer.
Sou as estrelas que brilham na noite.
Não vão chorar sobre a minha campa,
não estou lá, não morri.


tradução livre dos poemas:

"To Those Whom I Love And Those Who Love Me" by Mary Alice Ramish
and
"A Hopi Prayer" by Mary E. Frye

terça-feira, abril 28, 2009

Esperança...

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René Magritte
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Esperança:
isto de sonhar bom para diante
eu fi-lo perfeitamente,
Para diante de tudo foi bom
bom de verdade
bem feito de sonho
podia segui-lo como realidade
.
Esperança:
isto de sonhar bom para diante
eu sei-o de cor.
Até reparo que tenho só esperança
nada mais do que esperança
pura esperança
esperança verdadeira
que engana
e promete
e só promete.
Esperança:
pobre mãe louca
que quer pôr o filho morto de pé?
.
Esperança
único que eu tenho
não me deixes sem nada
prometeengana
engano que seja
engana
não me deixes sozinho
esperança.
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Almada Negreiros

sábado, novembro 08, 2008

esperança...

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René Magritte
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neste espaço a si próprio condenado,
dum momento para o outro pode entrar
um pássaro que levante o céu
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Alexandre O'Neill

terça-feira, outubro 21, 2008

A mim quem me vence é o patrão

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René Magritte
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Ali está o rio
Dois homens na margem estão
Se um dá um passo o outro hesita
Será um valente? O outro não?
.
Bom negócio faz um deles
Tem o triunfo na mão
Do outro lado do rio
Só um come o fruto, o outra não
.
Ao outro passo o p'rigo
Novos castigos virão
Se ambos venceram o rio
Só um tubo ganha o outro não
.
Na margem já conquistada
Só um venceu a valer
Perdeu o outro a saúde
Mas nada ganhou pra viver
.
Quem diz "nós" saiba ver bem
Se diz a verdade ou não
Ambos vencemos o rio
A mim quem me vence é o patrão
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Bertolt Brecht
Cantado por Zeca Afonso

segunda-feira, março 12, 2007

tudo arrumado...

...

René Magritte
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Corpo arrumado
pendurado na cruzeta
Descansam os pés sobre a mesa

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.Maria Ema

terça-feira, dezembro 19, 2006

Bastava uma palavra...

...

René Magritte


Bastava uma palavra para dizer
O quanto ele a amava
E não a queria perder
Mas tudo o que ele fez foi enlouquecer
Porque a boca não falou
O que o coração queria dizer...
São dois anjos caídos

Do paraíso
São dois anjos perdidos
A um passo do céu
Bastava uma palavra p'ra não deixar

Tudo o que eles tinham
Desaparecer no ar
Mas tudo o que ela fez foi ficar ali
A pensar que tudo o que queria
Era tê-lo junto a si...

Letra e música: Paulo Martins
Intérprete: Sexto Sentido

sexta-feira, novembro 03, 2006

Hás-de chegar

...

René Magritte

Como tudo
Hás-de chegar com o corpo
Encostado ao rosto
Da cidade.
Com teus olhos
Decididamente tristes
Vens tomar a minha mão
Dar-lhe o gosto das cerejas
E levá-la ao teu
Mais secreto descaminho.
Hás-de chegar
Nas asas do silêncio
Tão mansa como a tarde
Que se esvai
Entornando sobre o chão
O perfil agudo das paredes.
Chegas hoje ou amanhã
Quem sabe?
Hás-de chegar de surpresa
Como sempre
Desviando o sentido dos relógios
E pedindo que o desejo
Se vista de veludo.
(prefiro cetim)

José Fanha

sexta-feira, julho 28, 2006

Gaivota


René Magritte


Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
morreria no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.


Alexandre O'Neill