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quinta-feira, abril 17, 2008

Demagogia

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Livia Alessandrini - Archeologia della mente
.
.
Dão nas vistas em qualquer lugar
Jogando com as palavras como ninguém
Sabem como hão-de contornar
As mais directas perguntas
.
Aproveitam todo o espaço
Que lhes oferecem na rádio e nos jornais
E falam com desembaraço
Como se fossem formados em falar demais
.
Demagogia feita à maneira
É como queijo numa ratoeira
P’ra levar a água ao seu moinho

Têm nas mãos uma lata descomunal
.
Prometem muito pão e vinho
Quando abre a caça eleitoral
Desde que se vêem no poleiro

São atacados de amnésia total
.
Desde o último até ao primeiro
Vão-se curar em banquetes, numa social
Demagogia feita à maneira

É como queijo numa ratoeira


Letra e música de Luís Pedro Fonseca
Álbum Perto de ti, Lena d’Água 1982

quarta-feira, março 07, 2007

há instantes-lâmina

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Livia Alessandrini


há instantes-lâmina,
instantes que nos retalham
e nos confrontam com quem somos
e porquê.
Percorrem-nos lentamente
em sua natureza afiada.


Silvia Chueire

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Como a lua...

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Livia Alessandrini - La Fenêtre de Van Gogh


Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...


Cecília Meireles

segunda-feira, janeiro 22, 2007

E aqui estou, cantando.

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Livia Alessandrini


Discurso


E aqui estou, cantando.

Um poeta é sempre irmão do vento e da água:
deixa seu ritmo por onde passa.

Venho de longe e vou para longe:
mas procurei pelo chão os sinais do meu caminho
e não vi nada, porque as ervas cresceram e as serpentes
andaram.

Também procurei no céu a indicação de uma trajectória,
mas houve sempre muitas nuvens.
E suicidaram-se os operários de Babel.

Pois aqui estou, cantando.

Se eu nem sei onde estou,
como posso esperar que algum ouvido me escute?
Ah! Se eu nem sei quem sou,
como posso esperar que venha alguém gostar de mim?


Cecília Meireles