A minha solidão não é uma invenção para enfeitar noites estreladas...
...Mas este querer arrancar a própria sombra do chão e ir com ela pelas ruas de mãos dadas.
...Mas este sufocar entre coisas mortas e pedras de frio onde nem sequer há portas para o Calafrio.
...Mas este rir-me de repente no poço das noites amarelas... - única chama consciente com boca nas estrelas.
...Mas este eterno Só-Um (mesmo quando me queima a pele o teu suor) - sem carne em comum com o mundo em redor.
...Mas este haver entre mim e a vida sempre uma sombra que me impede de gozar na boca ressequida o sabor da própria sede.
...Mas este sonho indeciso de querer salvar o mundo - e descobrir afinal que não piso o mesmo chão do pobre e do vagabundo.
...Mas este saber que tudo me repele no vento vestido de areia... E até, quando a toco, a própria pele me parece alheia.
Não. A minha solidão não é uma invenção para enfeitar o céu estrelado... ...mas este deitar-me de súbito a chorar no chão e agarrar a terra para sentir um Corpo Vivo a meu lado.