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sexta-feira, março 21, 2008

quem me roubou o tempo?

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Salvador Dali
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quem me roubou o tempo que era um
quem me roubou o tempo que era meu
o tempo todo inteiro que sorria
onde o meu eu foi mais limpo e verdadeiro
e onde por si mesmo se escrevia
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Sophia de Mello Breyner

sábado, outubro 27, 2007

ninguém te cala pensamento...

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Salvador Dali
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Quem marca uma fronteira àquela estrela
A asa que é a sua sombra onde mora?
Sob as mordaças calam-se as palavras
Mas ninguém te cala pensamento.
.Quem manda à semente não germines
Ao fruto dela que o não seja?
Amarram-se os pulsos com algemas
Mas ninguém te amarra pensamento.
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Quem impõe ao dia que não nasça
Ao sol que é sua fonte que não brilhe?
Fecham-se as janelas com tapumes
Mas ninguém te cega pensamento
.Quem diz ao amor é impossível
À lembrança que é seu laço que o não seja?
Separam-se os amantes na distância
Ninguém te roubará meu pensamento.
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Joaquim Namorado

sexta-feira, junho 22, 2007

A minha alma partiu-se...

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Salvador Dali
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A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.
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Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.
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Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.
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Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?
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Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.
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Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.
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Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-no especialmente, pois não sabem por que ficou ali.
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Álvaro de Campos

sexta-feira, fevereiro 09, 2007