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sábado, dezembro 24, 2011

Natal

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Hoje foi o teu primeiro, Nicinha...
.........................................           e a saudade já é imensa...
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                                        postal antigo encontrado na net



Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio


David Mourão-Ferreira

terça-feira, dezembro 20, 2011

Aos que amo e aos que me amam... não vão chorar sobre a minha campa

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René Magritte


Quando eu já não estiver aqui, deixem-me partir,
tenho tantas coisas a fazer e a ver…
Não chorem muito quando pensarem em mim,
agradeçam, sim, pelos belos e bons anos que passámos juntos.


Dei-vos o meu amor e vocês poderão adivinhar
a felicidade que me deram.
Agradeço o amor que cada um me demonstrou
mas agora é tempo de viajar sozinha.


Sofram por mim um pouco, se tiverem que o fazer;
depois, deixem que a fé vos dê força e conforto.
Estaremos separados apenas por algum tempo, por isso,
guardem e acarinhem as recordações no vosso coração.


Não estarei longe e a vida continua…
Se precisarem de mim, chamem, e eu virei.


Apesar de não me poderem ver ou tocar, eu estarei por perto,
e se escutarem com o vosso coração, perceberão claramente,
como o meu amor vos envolve com ternura.


E quando for altura de também partirem, estarei lá
para vos acolher com um sorriso e um bem vindos a casa.




Não vão chorar sobre a minha campa,
não estou lá, não, não estou lá.
Sou os mil ventos que sopram.
Sou o cintilar dos cristais de neve.
Sou a luz que atravessa os campos de trigo.
Sou a doce chuva do outono.


Sou o revoltear das aves
na calma do amanhecer.
Sou as estrelas que brilham na noite.
Não vão chorar sobre a minha campa,
não estou lá, não morri.


tradução livre dos poemas:

"To Those Whom I Love And Those Who Love Me" by Mary Alice Ramish
and
"A Hopi Prayer" by Mary E. Frye

terça-feira, novembro 29, 2011

Estão podres as palavras

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... e não só
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Jean Veber


Estão podres as palavras - de passarem
por sórdidas mentiras de canalhas
que as usam ao revés como o carácter deles.
E podres de sonâmbulos os povos
ante a maldade à solta de que vivem
a paz quotidiana da injustiça.
Usá-las puras - como serão puras,
se caem no silêncio em que os mais puros
não sabem já onde a limpeza acaba
e a corrupção começa? Como serão puras
se logo a infâmia as cobre de seu cuspo?
Estão podres: e com elas apodrece o mundo
se dissolve em lama a criação do homem
que só persiste em todos livremente
onde as palavras fiquem como torres erguidas
sexo de homens entre o céu e a terra.


Jorge de Sena

quinta-feira, novembro 24, 2011

Alarme

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Simon Casson


Quem foi que anoiteceu a tarde em água e vento
e encheu de Inverno o Outono em que me escondo?
Quem foi que amarfanhou o meu sorriso antigo
e encheu de lama estrelas que sonhava?

Vontade de escarrar,
vontade louca
de dizer palavrões
a toda a gente!...
E tudo fica igual,
como se nada
tivesse acontecido
em qualquer parte;
e tudo fica mudo,
a mastigar
pra dentro
os palavrões
que era
preciso
dizer,
para que a tarde
fosse tarde
e o Outono
Outono
e o riso fosse riso
- um bimbalhar de sinos -
e as estrelas
brilhassem como sóis...

É preciso
acordar
a madrugada
- antes que a matem,
inda mal desperta!...


Alfredo Reguengo

quarta-feira, novembro 23, 2011

um porco há-de ser sempre um porco ... inda que o rei o faça cortesão

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O rei dos animais, o rugidor leão,
Com o porco engraçou, não sei por que razão.
Quis empregá-lo bem para tirar-lhe a sorna
(A quem torpe nasceu nenhum enfeite adorna):
Deu-lhe alta dignidade, e rendas competentes,
Poder de despachar os brutos pretendentes,
De reprimir os maus, fazer aos bons justiça,
E assim cuidou vencer-lhe a natural preguiça;
Mas em vão, porque o porco é bom só para assar,
E a sua ocupação dormir, comer, fossar.
Notando-lhe a ignorância, o desmazelo, a incúria,

Soltavam contra ele injúria sobre injúria
Os outros animais, dizendo-lhe com ira:
«Ora o que o berço dá, somente a cova o tira!»
E ele, apenas grunhindo a vilipêndios tais,
Ficava muito enxuto. Atenção nisto, ó pais!
Dos filhos para o génio olhai com madureza;
Não há poder algum que mude a natureza:
Um porco há-de ser porco, inda que o rei dos bichos
O faça cortesão pelos seus vãos caprichos.


Bocage, in 'Fábulas'

terça-feira, novembro 22, 2011

Cantiga do fogo e da guerra ou de como os "senhores" nos sugam até ao tutano

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Pieter Bruegel


Há um fogo enorme no jardim da guerra
E os homens semeiam fagulhas na terra
Os homens passeiam co´os pés no carvão
que os Deuses acendem luzindo um tição
Pra apagar o fogo vêm embaixadores
trazendo no peito água e extintores
Extinguem as vidas dos que caiem na rede
e dão água aos mortos que já não têm sede
Ao circo da guerra chegam piromagos
abrem grande a boca quando são bem pagos
soltam labaredas pela boca cariada
fogo que não arde nem queima nem nada
Senhores importantes fazem piqueniques
churrascam o frango no ardor dos despiques
Engolem sangria dos sangues fanados
E enxugam os beiços na pele dos queimados
É guerra de trapos no pulmão que cessa
do óleo cansado que arde depressa
Os homens maciços cavam-se por dentro
e o fogo penetra, vai directo ao centro


Letra: Sérgio Godinho
Música: José Mário Branco
Álbum: Mudam-se os tempos mudam-se as vontades

domingo, novembro 06, 2011

da janela da vida...

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Daniel Bueno


Para ver quanta fé perdida
E quanta miséria sem par
Há neste orbe, atroz ruim
Pus-me à janela da vida
E alonguei o meu olhar
P´lo vasto Mundo sem fim.

Pus todo o meu sentimento
Na mágoa que não se aparta
Do que mais nos desconsola;
E assim a cada momento
Vi buçaes comendo à farta
E génios pedindo esmola!

Vi muitas vezes a razão
Por muitos posta de rastos,
E a mentira em viva chama;
Até por triste irrisão,
Vi nulidades nos astros
E vi ciências na lama!...

Vi dar aos ladrões, valores,
Vi sentimentos perdidos
Nas que passam por honradas,
Vi cinismos vencedores,
Muitos heróis esquecidos
E vaidades medalhadas!

Vi, no torpor mais imundo,
Profundas crenças caindo
E maldições ascendendo;
Tudo vi, por esse mundo:
Vi miseráveis subindo
E homens honrados descendo!

Esse é rico, e não tem filhos
Que os filhos não dão prazer
A certa gente de bem.
Aquele tem duros trilhos
Mas é capaz de morrer
P´los filhinhos que tem!

Esta é rica em frases ledas,
Diz-se a mais casta donzela,
Mas a honra onde ela vai!…
Aquela não veste sedas,
Mas os garotitos dela,
São filhos do mesmo pai!

Por isso afirmo conciso,
Que p´ra na vida ter sorte,
Não basta a fé decidida;
P´ra ser feliz, é preciso
Ser canalha até à morte,
Ou não pensar mais na vida!


Letra de: Carlos Conde (1920)
Música e Interpretação: Alfredo Marceneiro

segunda-feira, outubro 17, 2011

terça-feira, outubro 11, 2011

temos cinco sentidos...




Julie Del Ama


Nós temos cinco sentidos:
são dois pares e meio de asas.

- Como quereis o equilíbrio?


David Mourão-Ferreira

domingo, outubro 09, 2011

Por vezes fêmea. Por vezes monja.




 Israel Zzepda


Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.


Natália Correia

quinta-feira, outubro 06, 2011

Poema de agradecimento à corja






Obrigado, excelências.
Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade
de vivermos felizes e em paz.
Obrigado pelo exemplo que se esforçam em nos dar
de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem dignidade.
Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar
as coisas por que lutámos e às quais temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias
um dia menos interessante que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.
Obrigado por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade
e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço.
E pelo vosso vergonhoso descaramento.
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer,
o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são.
Para que não sejamos também assim.
E para que possamos reconhecer facilmente
quem temos de rejeitar.


Joaquim Pessoa

terça-feira, setembro 20, 2011

Sinto vergonha de mim... e tenho tanta pena de ti, povo português!




Sinto vergonha de mim…
por ter sido educador de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o “eu” feliz a qualquer custo,
buscando a tal “felicidade”
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,

a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos “floreios” para justificar
atos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre “contestar”,
voltar atrás
e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo
que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer…

Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti, povo brasileiro!

 Cleide Canton

De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto. 

Ruy Barbosa

sábado, março 05, 2011

As aves levantam contra o vento




“Que farás quando vieres a descobrir que a febre que te moveu, e tomaste por verdade indiscutível, nunca passou a fronteira do sonho? Que vais tu fazer ao dar-te conta de que o teu país voltou à embriaguez antiga, dos milagres trazidos pelo vento que há-de chegar da Europa? À mesma corrompida cupidez, à rudíssima e torpe ignorância, à mesma fidalguia de fachada, à fatal temeridade? Que farás ao observar, após tanto sobressalto, que Portugal adormeceu de novo, num sono ainda mais profundo?”

Jorge Carvalheira


Entrou voando pelo sonho adentro.
Voava tão alto que não se apercebeu que muito poucos tinham descolado e que, mesmo desses, a maioria, não tinha largado as amarras.
Não se apercebeu de que apesar de Abril ter sido sonho de muitos, foi conquista de poucos e interiorização de muitos menos.
Não se apercebeu de que a liberdade é um sentimento que tem que vir de dentro. De que o que estava em causa era uma liberdade dada, emprestada, não adquirida, não assumida, não nascida em cada um. Não soube que, perante uma liberdade assim, a maioria não a saberia viver, não a saberia defender. Por isso não soube que os velhos medos ainda gritavam mais alto e que o peso do poder, do dinheiro e de interesses antigos continuariam a ser os mandantes.
Também não percebeu que o sonho se tinha começado a desfazer no preciso momento em que estava a nascer: - “um capitão?! não posso deixar cair o poder no chão” - “vão lá buscar o general do olho de vidro”.  E foram!...
Voava mais alto do que tudo isto e só via a beleza do que havia sido conquistado naquela madrugada e que, mais do que tudo, queria preservar; tão alto que o sonho se desmanchou e “entrou a voar pelo chão dentro” como já lhe acontecera de outra vez. Só que desta vez não “partiu a cara”, partiu a alma.

E, ao remendá-la, soube tudo isto, e, percebeu, também, este Portugal que nunca soube, não sabe e, dificilmente, virá a saber ser um país.

E, de todo este saber, narrando-se,  fez, numa soberba obra de literatura (ah! como eu gostava de saber escrever assim), o mais cáustico e mais belo relato, que me foi dado ler, sobre a incongruência deste país que vagueia, eternamente, entre uma meninice birrenta e uma adolescência imatura, sem nunca se tornar adulto; deste país que, bastas vezes, teve ventos a favor para levantar voo, mas teima em ficar, orgulhosa e teimosamente do lado contrário da pista, levantando e “borregando”, levantando e “borregando”, ad nauseam; deste país que sobrevive na arrogância despótica de uns e na subserviência de outros; deste país incapaz de se bastar a si próprio, vítima de uma autofagia insana.


Maria Ema

domingo, abril 25, 2010

com esperança nas sementes esquecidas...



Sei que está em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim

Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor no teu jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei, também, que é preciso, pá
Navegar, navegar

Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente

Algum cheirinho de alecrim

 Chico Buarque






Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
Ainda guardo renitente
Um velho cravo para mim

Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto de jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei, também, quanto é preciso, pá
Navegar, navegar

Canta primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim


Chico Buarque

sexta-feira, maio 01, 2009

Madrugada

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in: redehumanizasus.net/node/1354
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Dos que morreram sem saber porquê
Dos que teimaram em silêncio e frio
Da força nascida do medo
Da raiva à solta manhã cedo
Fazem-se as margens do meu rio.
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Das cicatrizes do meu chão antigo
E da memória do meu sangue em fogo
Da escuridão a abrir em cor
De braço dado e a arma flor
Fazem-se as margens do meu povo
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Canta-se a gente que a si mesma se descobre
E acordem luzes arraiais
Canta-se a terra que a si mesma se devolve
Que o canto assim nunca é demais
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Em cada veia o sangue espera a vez
Em cada fala se persegue o dia
E assim se aprendem as marés
Assim se cresce e ganha pé
Rompe a canção que não havia
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Acordem luzes nos umbrais que a tarde cega
Acordem vozes, arraiais
Cantam despertos na manhã que a noite entrega
Que o canto assim nunca é demais
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Cantem marés por essas praias de sargaços
Acordem vozes, arraiais
Corram descalços rente ao cais, abram abraços
Que o canto assim nunca é demais
O canto assim nunca é demais
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Letra e música: José Luís Tinoco
Interpretado por: Duarte Mendes

terça-feira, abril 28, 2009

Esperança...

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René Magritte
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Esperança:
isto de sonhar bom para diante
eu fi-lo perfeitamente,
Para diante de tudo foi bom
bom de verdade
bem feito de sonho
podia segui-lo como realidade
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Esperança:
isto de sonhar bom para diante
eu sei-o de cor.
Até reparo que tenho só esperança
nada mais do que esperança
pura esperança
esperança verdadeira
que engana
e promete
e só promete.
Esperança:
pobre mãe louca
que quer pôr o filho morto de pé?
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Esperança
único que eu tenho
não me deixes sem nada
prometeengana
engano que seja
engana
não me deixes sozinho
esperança.
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Almada Negreiros

sábado, abril 25, 2009

Sonho de liberdade...

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Curtis Verdun - the dance of good and evil
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Liberdade esta palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda.
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Cecília Meireles


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No teu poema
existe a esperança acesa atrás do muro,
existe tudo o mais que ainda escapa
e um verso em branco à espera de futuro.
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José Luís Tinoco
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Portugal inteiro há-de abrir os olhos um dia
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Almada Negreiros

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Quantos seremos?

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Não sei quantos seremos, mas que importa?!
Um só que fosse, e já valia a pena.
Aqui, no mundo, alguém que se condena
A não ser conivente
Na farsa do presente
Posta em cena!
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Não podemos mudar a hora da chegada,
Nem talvez a mais certa,
A da partida.
Mas podemos fazer a descoberta
Do que presta
E não presta
Nesta vida.
.E o que não presta é isto, esta mentira
Quotidiana.
Esta comédia desumana
E triste,
Que cobre de soturna maldição
A própria indignação
Que lhe resiste.
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.Miguel Torga

domingo, janeiro 04, 2009

Blowin' In The Wind

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How many roads must a man walk down
Before you call him a man?
Yes, 'n' how many seas must a white dove sail
Before she sleeps in the sand?
Yes, 'n' how many times must the cannon balls fly
Before they're forever banned?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.
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How many times must a man look up
Before he can see the sky?
Yes, 'n' how many ears must one man have
Before he can hear people cry?
Yes, 'n' how many deaths will it take till he knows
That too many people have died?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.
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How many years can a mountain exist

Before it's washed to the sea?
Yes, 'n' how many years can some people exist
Before they're allowed to be free?
Yes, 'n' how many times can a man turn his head,
Pretending he just doesn't see?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.
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Bob Dylan (Madison Square Garden NY 1971)

terça-feira, dezembro 23, 2008

Bom Natal para todos


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(?)
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As crianças viravam as folhas
dos dias enevoados
e da página do Natal
nasciam momentos prateados
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da infância. Intérmina, a mãe
fazia o bolo unido e quente
da noite na boca das crianças
acordadas de repente.
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Torres e ovelhas de barro
que do armário saíam
para formar a cidade
onde o menino nascia.
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Menino pronunciado
como uma palavra vagarosa
que terminava numa cruz
e começava numa rosa.
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Natal bordado por tias
que teciam com seus dedos
estradas que então havia
para a capital dos brinquedos.
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E as crianças com tinta invisível
do medo de serem futuro
escreviam seus pedidos
no muro que dava para o impossível,
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chão de estrelas onde dançavam
a sua louca identidade
de serem no dicionário
da dor futura: saudade.
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Natália Correia

domingo, dezembro 21, 2008

Tejo

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Manuel Faia
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Madrugada,
Descobre-me o rio
que atravesso tanto
para nada,
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E este encanto,
prende por um fio,
é a testemunha do que eu sei dizer.
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E a cidade,
chamam-lhe Lisboa,
mas é só o rio
que é verdade,
só o rio,
é a casa de água,
casa da cidade em que vim nascer.
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Tejo, meu doce Tejo, corres assim,
corres há milénios sem te arrepender,
és a casa da água onde há poucos anos eu escolhi nascer.
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Letra: Pedro Ayres de Magalhães
Música: José Peixoto
Interpretado: Madredeus